terça-feira, 15 de março de 2011

Fukushima está perto de nós! - por Norbert Suchanek

Sábado à tarde, dia 12 de março, as notícias sobre o acidente nas usinas nucleares de Fukushima no Japão correm no meu computador.

E em um quilômetro de distância da minha casa desfilam as melhores cinco escolas de samba pela ultima vez neste Carnaval de 2011. Neste mesmo momento, um jornal da internet, na Alemanha, escreve: "parece que um GAU* aconteceu no Japão!" E a segunda notícia mais importante deste jornal fala sobre o jogador David Beckham, que seu quarto filho será pela primeira vez uma filha! No momento quando eu pensei sobre esta combinação de notícias caiu a energia. Pow! Luz, computador, tudo caindo na hora. TV, rádio, nada funciona mais. O meu bairro Santa Teresa ficou no escuro e no desconhecimento dos acontecimentos no Japão. Apagões como este acontecem frequentemente, quase uma vez por semana, aqui no Rio de Janeiro que recebe a eletricidade das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, construídas numa "Pedra Podre"...

Mas agora não é o tempo para reclamar, é o tempo para refletir. Vai ter um novo Chernobyl no Japão, poluindo o ar e o mar com milhares de elementos radioativos transportados pelas correntes e ventos até outros continentes, igual como 25 anos antes na Ucrânia? Por que o acidente nuclear de 1979, em Harrisburg nos EUA, e o grande desastre de Chernobyl não tiveram consequências sérias como proibir e fechar para sempre todas as outras usinas nucleares no mundo?

Me lembro bem que a maioria do povo alemão não gostava destas usinas caras e perigosas já antes do desastre nuclear no território da antiga União Soviética que contaminou várias partes da Europa. Com os efeitos das chuvas radioativas chegando de Chernobyl em cima das florestas, hortas, cidades, escolas e jardins de infância, especialmente no sul do Alemanha, a população estava ainda mais crítica contra energia nuclear. Por isso, o Partido Verde da Alemanha (Die Grünen) e os socialdemocratas (SPD) foram eleitos em 1998, 12 anos depois de Chernobyl. Eles foram eleitos para mudar o sistema industrial da Alemanha, para criar mais empregos sustentáveis e para fechar as usinas nucleares!

O grande erro e tragédia do Governo, formado pelo Partido Verde e pelo Partido Socialista (SPD), foi não ter fechado os reatores nucleares na hora que estava no poder. Ao invés de criar uma lei de fechamento a curto prazo, contra a vontade das grandes empresas de energia na Alemanha, este Governo colaborou com estas empresas. Em 2002, o governo Verde-SPD criou a complexa Lei "Atomausstiegsgesetz*" para fechar as usinas nucleares. Esta lei, com o nome de "lei de fechamento de usinas atômicas", na realidade, garantiu a vida útil de 32 anos das usinas nucleares. Além disso: Quem conhece como funciona uma democracia, com eleições a cada 4 anos, sabe o que significa isso. Nada! Porque a cada 4 anos pode chegar um outro governo que pode mudar esta decisão a seu gosto, como agora o Governo da democrata-cristã Angela Merkel.

Mas nenhum povo do planeta precisa de energia nuclear, e ninguém neste planeta precisa de hidroelétricas, como Belo Monte ou Tucurui na Amazônia. Na Alemanha e Áustria - com muito menos sol de que o Brasil e invernos frios - já existem milhares de telhados com sistemas solar: Telhados com aquecedores solar que funcionam também no inverno e telhados com placas fotovoltaicas para produzir eletricidade durante o ano inteiro. Um dos pontos positivos do Governo Verde-Socialista da Alemanha foi os subsídios para o povo alemão adquirir estes tetos solares. Por isso, temos também agora vários agricultores que não só produzem legumes, milho, batatas ou carne para as linguiças brancas, mas também eletricidade para a comunidade. As fazendas viram usinas elétricas limpas, simplesmente pelo fato de suas grandes casas e estábulos terem grandes telhados, que são hoje cheios de placas solares.

Esta energia solar produzida pelos grandes e pequenos agricultores e fazendeiros está alimentando o sistema elétrico de toda Alemanha, e assim eles ganham a cada mês um bom lucro extra. Por isso, eu posso falar: Ninguém precisa de usinas nucleares e ninguém precisa de grandes barragens destrutivas!
Quem precisa de grandes fontes de energia centralizada são as grandes empresas com gasto alto de eletricidade, como a indústria de alumínio. Por exemplo, a Cidade de Hamburgo com mais ou menos 2 milhões de habitantes, tem uma usina nuclear, mas realmente não é para abastecer as lâmpadas e os bondes do povo e da cidade. A usina nuclear é para a indústria, principalmente para fazer alumínio à base de bauxita importada.

"Tá bom", alguém pode falar, "então só precisamos de mais algumas placas solar nos tetos de Hamburgo para substituir a usina nuclear." Infelizmente este pensamento também nos leva a um beco sem saída. Porque indústrias como a indústria de alumínio precisam de uma quantidade de energia elétrica tão alta, que é impossível economicamente abastecê-las com placas fotovoltaicas. A solução é uma outra: O mundo sustentável não precisa de alumínio, um dos materiais mais destrutíveis do planeta. Quem não acreditar nisso precisa visitar as minas de bauxita nas margens do Rio Trombetas, na Amazônia.

A questão não é "energia nuclear ou grandes barragens". A questão não é substituir uma fonte de energia por uma outra. A questão é mudar o estilo de vida da sociedade. Isso não significa uma perda. Ao contrário! Isso significa menos embalagens indevidas, menos lixo e mais comida fresca! Isso significa menos burrice como chuveiros elétricos e mais inteligência como chuveiro aquecido de graça pelo nosso sol; significa menos carros e menos mortes nas estradas durante o carnaval, significa um sistema de transporte público melhor o que quer dizer menos sofrimento, principalmente para milhares de famílias às margens das cidades.

Mudar o estilo da vida é muito mais fácil do que as pessoas pensam. As sociedades do planeta já mudaram seus estilos de vida centenas de vezes. O povo carioca, por exemplo, cozinhava até os anos 1970 com óleo de coco, produzido na região. Um sistema sustentável, saudável e gostoso. Mas a indústria junto com o governo mudou este estilo de vida em poucos anos. Hoje, o carioca cozinha com óleo de soja, produzido à custa do ecossistema Cerrado, à custa de uma destruição ambiental, social e cultural que não tem palavras!

Além disso, o sistema de soja precisa de muita energia por causa do grande uso de pesticidas, adubos e grandes máquinas nas lavouras e por causa do transporte de grandes distâncias.

Norbert Suchanek, Rio de Janeiro

* A sigla GAU significa o maior acidente de uma usina nuclear possível.
* Já no ano de 2002, o lei "Atomausstiegsgesetz" foi criticada pelas maiores ONGs ambientais da Alemanha, o BUND e o DNR. Eles avaliaram esta lei como irresponsável. E o representante do BUND, Sebastian Schönauer, falou: "Esta lei de fechamento é tudo menos uma lei de fechamento."
 

sábado, 12 de março de 2011

A cultura do automóvel ataca mais uma vez

Muito bem, cheguei hoje da instituição espírita que faço voluntariado, não encontrei o mesmo bicicletário que deixei quando sai do estacionamento do prédio em que moro. Na verdade era o mesmo bicicletário, abarrotado de bicicletas, porém cercando, verdadeira cerca de metal, carros e motos, muito próximos, para não dizer colados a estrutura.

Sr.(a) motociclista ñ estacione interrompendo a passagem de outros veículos (bicicletas). O ciclista do prédio agradece
Assombrei-me: "como eu vou passar?", pensei "cá com meus botões". Pois é, o espaço que tinha reservado para minha singela bike - como sou um dos poucos ciclistas que deslocam-se com frequência - dei um lugar mais facilitado para minha saídas e chegadas; o problema que tinha um carro bem no meio, com menos de meio metro das bicicletas. Com o perdão da palavra, que sacanagem meu irmão! Além disso tinha uma moto impedindo a passagem, mais dois carros dificultando a circulação. É como se um condutor de um automóvel parasse seu carrinho de maneira correta no lugar seu reservado, e viessem dois folgados entravacassem a passagem( agora é palpável esse exemplo, não é?). 

A dona do veículo apareceu e levou-o embora abrindo mais espaço. Se fosse sempre assim.
Isso não é a primeira vez, é tão corriqueiro, o problema maior está relacionado a falta de educação. As pessoas se acomodam, preferem parar perto dos elevadores ( não ocupando as suas vagas respectivas); as visitas perto das piscinas e da churrasqueira ( não ocupando o espaço reservado aos motores visitantes), negligenciando a utilização do espaço.

Não conheço todas pessoas que preenchem todos os 98 apartamentos empilhados formando o edifício, imagino se realmente todos estivessem preenchidos. Seria um caos? Mais meninas bonitas para eu paquerar? (rs) Mais carros? Conheci algumas pessoas interessantes nesse tempo pouco que estou vivendo aqui, não gosto de apartamento, mas tenho um teto para morar, enquanto muita gente vive em baixo de marquises. Se por um lado existem pessoas interessantes, outras são como máquinas frias (sou uma delas, mas eu venho treinando, e combatendo isto, tenho me esforçado),  que nem para responder ao meu esforço de conseguir dá, pelo menos bom dia de elevador, conseguem me corresponder.
Não pude mais colocar a bike neste local. E tirar alguma daí fica complicado mesmo, como já aconteceu algumas vezes
Do elevador para o carro, e algumas interpelações de bom convívio social, segundos exíguos. Pressa. Do carro para a penumbra dos elevadores, e a impaciência rumo ao andar escolhido. O meu é o vigésimo (rs). Compartilho desses sentimentos porque sinto isso, são pontos que eu preciso melhorar, sendo pessoa humana, dentre outras coisas, a exemplo, do meu comportamento nas ruas, no lar, nos estudos, perante ao próprio movimento Bicicletada.
Essa é a bicicleta que leva-me por aí, um amigo brincou uma vez e a batizou de monstrobike. Mas não sou um monstro no trânsito deixo claro.

A minha sensibilidade aumenta muito a cada pedalada, a cada giro das rodas tenho tempo para pensar, refletir. Verdade.  Se eu falasse o contrário estaria mentindo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Município de Extremoz: Mugumbeiras gigantes

Duas Mugumbeiras gigantes em Extremoz, lindas, exuberantes e imponentes. Eu atento para a proteção desses seres vivos que com certeza são centenários, e estão ali, acredito eu, a mais tempo que a própria fundação da cidade, e compõe o patrimônio ambiental deste município. Essas árvores se localizam a lateral do campo de futebol de Extremoz, em rua próxima ao cemitério da cidade.  


Quem passar por lá vá prestigiar, lindo e encantador. Mais de 10 pessoas são necessárias para abraça-las. Que a comunidade de Extremoz possa cuidar bem delas. Espero um dia ir de bike até lá.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Calota desaparecida

Sai hoje para faculdade, joguei-as no canto, acreditando que eram apenas calotas velhas sem valor algum. Roubaram a calota "Respire". Suponho que "o dono levou" . Se pegou, quer dizer que será útil. Calotas no meio da rua não faltam, infelizmente. Eu vou também tentar aperfeiçoar a minha técnica de desenho em calotas de carro e quem sabe ir além do bicicletário do meu prédio.  rsrs

sexta-feira, 4 de março de 2011

Intervenção no bicicletário do prédio.

Catei duas calotas nas ruas, na última Bicicletada Natal ou Bicicrítica como costumamos aqui chamar também. Essa Massa Crítica foi no dia 02/03/2011 em solidariedade aos amigos de Porta Alegre que foram vítimas daquele atentado brutal  Somente hoje, dia(04) da Bicicletada Continental peguei essas calotas, e usei da criatividade. Como fiz? O material que usei foi uma cueca velha minha, um recipiente com água, e tinta branca guache. Com o pano úmido, com o dedo eu fui tentando desenhar as letras, retirando a fuligem densa, não ficou muito legível, daí passei a tinta com o dedo por cima. Aí ficou assim como vocês podem ver nas fotos. Depois pendurei no bicicletário do prédio que moro. Gostaram? ^^

Uma carteira de cigarro: peço ao meu vizinho que mora no andar de baixo que pare de fumar, a fumaça entra no meu quarto =/

No lugar de está entupindo bueiros, juntando água para dengue, degradando o meio, aproveitei de alguma forma. Recicle!

Srs. motoristas recolham os dejetos de seu carro, faça no mínimo isto.

Bicicleta: um carro a menos.


#naofoiacidente

As empresas automobilísticas estimulam o comportamento agressivo de motoristas

                    …


aberta a temporada de caça aos ciclistas

o brasileiro motorizado muitas vezes parece ter a mãe na zona. vê um ciclista, e não resiste a dar um susto, ou arremessar-lhe algo.
não há ciclista urbano nesse país que já não tenha tomado um grito na orelha que o tenha derrubado ou quase derrubado. não há ciclista de estrada que não tenha sido agredido. no audax 600 de sp, ano passado, nosso amigo rafael dias de menezes tomou uma pedra de gelo no meio das costas, arremessada de um carro a alta velocidade. teve que parar num posto médico na beira da estrada pra ser atendido. a renata falzoni contou que certa vez tomou um grito desses na orelha e por sorte estava perto deum policial, pra denunciar a tentativa de assassinato. pode-se matar com um grito? sim! um grito na orelha assusta e derruba o ciclista, e no tombo ele pode morrer, mesmo usando capacete e uma armadura completa.
mas não só gritos matam ciclistas. a imprudência mata. em londrina, no dia 01/03, houve um protesto de ciclistas em razão de um quase acidente:  uma picape bordô quase atropelou um grupo de ciclistas parados… numa ciclovia! sim, o veículo invadiu a ciclovia. mais infos aqui. chama a atenção a intenção: buzinou e deu tchauzinho pros ciclistas…
também chama a atenção a declaração de luciano pagliarini, um brasileiro que participou de corridas importantes como o tour de france o giro d´italia: já tive vários casos de desrespeito durante treinos na estrada, com gente arremessando coisas.
essa é uma prática infelizmente comum. no carnaval de 2010, enquanto subia a rua teodoro sampaio, em são paulo, tomei uma lata de cerveja na cabeça. por sorte estava de capacete. mas caí, me arranhei.
são formas variadas de humilhação, formas variadas de nos passar a seguinte mensagem: “você não vale nada, você é uma coisa, um objeto”. até mesmo um objeto sexual apenas. como pode-se ler nesse amargo post da marina chevrand no blo das pedalinas. aliás, as meninas que pedalam estão cansadas das gracinhas dos marmanjos.
todos esses atos causam dor: dor física, dor moral. e o que o ciclista fez por merecer isso? recebe isso apenas por estar ali, por existir. o crime é esse: existir sem incomodar.
num país onde se atacam homossexuais na rua, onde se atacam empregadas domésticas, onde já se tacou fogo em índio e se alegou que foi por engano, pois achavam que era um mendigo  (e mendigo não é gente pra essas pessoas), não é de estranhar que se grite na orelha do ciclista, se buzine às suas costas (na intenção de que ele suma da frente),  se lhe arremesse coisas. ou mesmo que sejam os ciclistas intencionalmente atropelados.
isso chama-se desprezo pelo outro. o outro que é coisificado, transformado em coisa. isso ocorre quando se sente o indivíduo muito acima do outro. no brasil, ainda herança da escravatura, do aristocracismo português herdado da vinda da corte em 1808, do “você sabe com quem quem está falando?”
um carro, umas cervejas e pronto, a verdadeira natureza do animal no volante aparece. o tapa na bunda da menina, a pedra de gelo nas costas do randonneur, a lata de cerveja no commuter, o atropelamento dos ciclistas.  o desprezo que pode matar.
aqui um formulário de pesquisa sobre esses incidentes. gerenciado pelo MIG. ciclista, preencha. ajude a formar o mapa da violência.

Fonte: 
http://asbicicletas.wordpress.com/2011/03/04/aberta-a-temporada-de-caca-aos-ciclistas/