Honras novas, tiragem fora de série
Um futuro extinto e bodas de ouro
Alergia a palavras, balões ocupados apenas com o ar.
O computador grava sem qualquer esforço
As dualidades e pormenores do intelecto
Daí o plenilúnio e uma herança
Que se recusa a tornar-se consciente, e
Tecnológica cópia até hoje degenerada
De uma natureza agressiva, porém avançada
Que pulula em mais um degrau e prossegue acima.
- Zero e um - disseram-me que é o Universo.
-Nos momentos finais prenúncios de emancipação do ego-. Sim...
Ecoa ao longe melodias melancólicas imponententemente humanas.
Mas qual caráter é este subumano que ameaça e recua(?)
Feroz, sim, mas é imperativo abrir a oportunidade
Àquela voz mansa e serena, referente ao que de bom apreendeu,
Navegando na luz que é reservada a todos.
O que casa além dos casais que se amam
E todas espécies de duplas que se unem(?)
Os dois "eus" vertendo para um ser Único
E se é surpresa para alguns: crerei nisso
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Minha vida no corredor da morte
Por Wilbert Rideau*
Londres, Inglaterra, fevereiro/2011 – Absolutamente nada de nossa vida anterior pode nos preparar para viver em um corredor dos condenados à morte. A pessoa é como um repolho em uma horta: plantado, forçado a levar uma existência estática durante a qual um dia é igual ao outro e ao seguinte. Só que, ao contrário do repolho, essa vida não tem propósito algum. A pessoa é apenas um número que ocupa um lugar e aguarda a vez para ser levada à câmara onde será executada. Até chegar esse dia o sofrimento será perpétuo.
No dia 11 de abril de 1962 apanhei, fui algemado e levado para o corredor da morte na prisão de Louisiana, onde havia outros 12 homens vivendo nas 15 celas do local. As baratas fugiram em todas as direções nem bem entrei na cela número 9, que tinha o tamanho de um banheiro: aproximadamente 1,80 por 2,40 metros.
A vida em espaço tão pequeno só podia ser de contínua inquietude e incômodo. Havia lugar apenas para alguns movimentos físicos deitado, agachado ou de cócoras, não dava para exercitar adequadamente todos os músculos do corpo. Permitiam que saíssemos da cela por apenas 15 minutos duas vezes por semana para tomar uma ducha. Passamos anos dessa maneira, sempre dentro da prisão, sem ver nem mesmo a luz do Sol.
Pior do que o tributo físico exigido de nossos corpos era o que cobrava de nossas mentes. O corredor era todo alvoroço e confusão, um coro infindável de descarga de banheiro, de maldições gritadas de uma cela para outra por condenados inimigos entre si, de disputas triviais sobre virtualmente nada, de aparelhos de rádio com volume no máximo para competir uns com outros. A maior parte desse pandemônio era provocada pela enlouquecedora monotonia, o profundo tédio, a grave marginalização emocional e a carência de normalidade como marco de referência para as vidas dos detentos.
Éramos como animais humanos em um dos zoológicos ao velho estilo, antes de entender-se que era desumano confinar grandes animais em uma estreita jaula. E como o tigre que obsessivamente se move de um lado a outro em sua jaula de grades, nós passeávamos pelo pequeno pedaço de chão além de nosso catre. Em determinadas ocasiões, um homem, por estratagema, podia bater sua cabeça contra as barras de aço e a perda de suficiente sangue podia provocar sua ida para o hospital destinado a criminosos psicóticos, onde as condições são melhores e o rótulo de doente mental adia a execução.
No corredor da morte éramos um grupo heterogêneo com pouco em comum, salvo que todos haviam cometido um crime. Estávamos amontoados e desprovidos pela vida das pequenas satisfações ou gentilezas que nos sustentam no mundo exterior. As pessoas raramente pensam no lado positivo das triviais intercomunicações sociais de todos os dias que enchem nossas vidas, por exemplo, com o empregado do armazém que nos cumprimenta ou com os companheiros de trabalho ou os encarregados da limpeza de nosso emprego, com os quais habitualmente mantemos pequenas conversas. Essas relações sociais aparentemente insignificantes são parte do pagamento que nos mantém todos juntos, que nos faz saber que temos um lugar no mundo. Se isso nos é tirado, e além do mais, como ocorre frequentemente, somos abandonados por amigos e familiares, podemos nos sentir à deriva.
É isso que acontece no corredor dos condenados à morte. Ali se perde o senso de um ser próprio como parte de um contexto no qual seu ser tem senso de existir. Por outro lado, no corredor começa-se a lutar para manter sua sensatez. Deve-se estar em guarda contra o pensamento mágico, ou seja, a tentação de abandonar-se a uma irracional crença de causa-efeito, como a de acreditar que um juiz anulará a sentença que nos condenou se nosso horóscopo continuar mostrando que as estrelas estão alinhadas favoravelmente. No pavilhão da morte, onde as coisas não têm sentido, nossa mente trata de dar significados a nada, o que pode nos levar a confundir fantasia com realidade. Além de lutar para não enlouquecer, cada dia se deve justificar sua existência de si mesmo, justificar o motivo de continuar vivendo quando simplesmente está esperando a morte, quando o mundo inteiro deseja nossa morte.
Fui salvo pelos livros. Voltei-me a eles apenas para matar o tempo e dar à minha mente algo a que se apegar para não enlouquecer. Depois, comecei a comprovar que a leitura me ligava com o mundo de um modo muito mais positivo do que antes. Gradualmente, cresci, amadureci e me livrei da ignorância que me levara ao corredor da morte. E não fui o único. A maior parte dos detentos no corredor da morte começou ler ou a estudar ou a manter correspondência com bons samaritanos, o que os fez melhores do que antes, quando haviam cometido as piores ações de suas vidas.
Diariamente me dou conta do quanto sou afortunado por ter saído vivo do corredor da morte. Mas Stanley “Tooki” Williams não teve a mesma sorte que eu: cofundador da primeira gangue de rua criminosa de Los Angeles, The Crips, ele se reformou na prisão e escreveu livros para convencer os jovens a não seguirem seus passos e dissuadi-los de integrar gangues. Isto não teve importância: as autoridades da Califórnia o executaram em 2005 depois de ter passado 25 anos no corredor da morte. Para o Estado, Tookie era menos que um repolho em uma horta. Envolverde/IPS
*Wilbert Rideau é autor do best-seller “No lugar da justiça: uma história de presídio e redenção”. Durante sua permanência no corredor da morte dedicou-se ao jornalismo e ganhou alguns dos mais destacados prêmios de jornalismo dos Estados Unidos.
(IPS/Envolverde)
Londres, Inglaterra, fevereiro/2011 – Absolutamente nada de nossa vida anterior pode nos preparar para viver em um corredor dos condenados à morte. A pessoa é como um repolho em uma horta: plantado, forçado a levar uma existência estática durante a qual um dia é igual ao outro e ao seguinte. Só que, ao contrário do repolho, essa vida não tem propósito algum. A pessoa é apenas um número que ocupa um lugar e aguarda a vez para ser levada à câmara onde será executada. Até chegar esse dia o sofrimento será perpétuo.
No dia 11 de abril de 1962 apanhei, fui algemado e levado para o corredor da morte na prisão de Louisiana, onde havia outros 12 homens vivendo nas 15 celas do local. As baratas fugiram em todas as direções nem bem entrei na cela número 9, que tinha o tamanho de um banheiro: aproximadamente 1,80 por 2,40 metros.
A vida em espaço tão pequeno só podia ser de contínua inquietude e incômodo. Havia lugar apenas para alguns movimentos físicos deitado, agachado ou de cócoras, não dava para exercitar adequadamente todos os músculos do corpo. Permitiam que saíssemos da cela por apenas 15 minutos duas vezes por semana para tomar uma ducha. Passamos anos dessa maneira, sempre dentro da prisão, sem ver nem mesmo a luz do Sol.
Pior do que o tributo físico exigido de nossos corpos era o que cobrava de nossas mentes. O corredor era todo alvoroço e confusão, um coro infindável de descarga de banheiro, de maldições gritadas de uma cela para outra por condenados inimigos entre si, de disputas triviais sobre virtualmente nada, de aparelhos de rádio com volume no máximo para competir uns com outros. A maior parte desse pandemônio era provocada pela enlouquecedora monotonia, o profundo tédio, a grave marginalização emocional e a carência de normalidade como marco de referência para as vidas dos detentos.
Éramos como animais humanos em um dos zoológicos ao velho estilo, antes de entender-se que era desumano confinar grandes animais em uma estreita jaula. E como o tigre que obsessivamente se move de um lado a outro em sua jaula de grades, nós passeávamos pelo pequeno pedaço de chão além de nosso catre. Em determinadas ocasiões, um homem, por estratagema, podia bater sua cabeça contra as barras de aço e a perda de suficiente sangue podia provocar sua ida para o hospital destinado a criminosos psicóticos, onde as condições são melhores e o rótulo de doente mental adia a execução.
No corredor da morte éramos um grupo heterogêneo com pouco em comum, salvo que todos haviam cometido um crime. Estávamos amontoados e desprovidos pela vida das pequenas satisfações ou gentilezas que nos sustentam no mundo exterior. As pessoas raramente pensam no lado positivo das triviais intercomunicações sociais de todos os dias que enchem nossas vidas, por exemplo, com o empregado do armazém que nos cumprimenta ou com os companheiros de trabalho ou os encarregados da limpeza de nosso emprego, com os quais habitualmente mantemos pequenas conversas. Essas relações sociais aparentemente insignificantes são parte do pagamento que nos mantém todos juntos, que nos faz saber que temos um lugar no mundo. Se isso nos é tirado, e além do mais, como ocorre frequentemente, somos abandonados por amigos e familiares, podemos nos sentir à deriva.
É isso que acontece no corredor dos condenados à morte. Ali se perde o senso de um ser próprio como parte de um contexto no qual seu ser tem senso de existir. Por outro lado, no corredor começa-se a lutar para manter sua sensatez. Deve-se estar em guarda contra o pensamento mágico, ou seja, a tentação de abandonar-se a uma irracional crença de causa-efeito, como a de acreditar que um juiz anulará a sentença que nos condenou se nosso horóscopo continuar mostrando que as estrelas estão alinhadas favoravelmente. No pavilhão da morte, onde as coisas não têm sentido, nossa mente trata de dar significados a nada, o que pode nos levar a confundir fantasia com realidade. Além de lutar para não enlouquecer, cada dia se deve justificar sua existência de si mesmo, justificar o motivo de continuar vivendo quando simplesmente está esperando a morte, quando o mundo inteiro deseja nossa morte.
Fui salvo pelos livros. Voltei-me a eles apenas para matar o tempo e dar à minha mente algo a que se apegar para não enlouquecer. Depois, comecei a comprovar que a leitura me ligava com o mundo de um modo muito mais positivo do que antes. Gradualmente, cresci, amadureci e me livrei da ignorância que me levara ao corredor da morte. E não fui o único. A maior parte dos detentos no corredor da morte começou ler ou a estudar ou a manter correspondência com bons samaritanos, o que os fez melhores do que antes, quando haviam cometido as piores ações de suas vidas.
Diariamente me dou conta do quanto sou afortunado por ter saído vivo do corredor da morte. Mas Stanley “Tooki” Williams não teve a mesma sorte que eu: cofundador da primeira gangue de rua criminosa de Los Angeles, The Crips, ele se reformou na prisão e escreveu livros para convencer os jovens a não seguirem seus passos e dissuadi-los de integrar gangues. Isto não teve importância: as autoridades da Califórnia o executaram em 2005 depois de ter passado 25 anos no corredor da morte. Para o Estado, Tookie era menos que um repolho em uma horta. Envolverde/IPS
*Wilbert Rideau é autor do best-seller “No lugar da justiça: uma história de presídio e redenção”. Durante sua permanência no corredor da morte dedicou-se ao jornalismo e ganhou alguns dos mais destacados prêmios de jornalismo dos Estados Unidos.
(IPS/Envolverde)
Reversas das vidas
Que pensavas antes(?)
Preso a este pequeno fascículo
Da alma que goza o gênero de cárcere
De coração livre
Liberto da sombra interior
Desejo que neste dia alcançado
- Imaginarei o espírito preenchido
E presente os sonhos mais plenos
Que desarma os mais endurecidos.
Se as mulheres emanciparam-se
Os homens lutam por emancipar-se:
O seu choro e seu amor
Sua doçura e compaixão.
Que pensavas antes
Quando foi mulher(?)
Tal a consciência
Educará hoje e no amanhã
Como todo dia aprende-se
A escrever um pouco mais
A fim de completar os títulos
De uma vida que é plural
Cheia de histórias
Preso a este pequeno fascículo
Da alma que goza o gênero de cárcere
De coração livre
Liberto da sombra interior
Desejo que neste dia alcançado
- Imaginarei o espírito preenchido
E presente os sonhos mais plenos
Que desarma os mais endurecidos.
Se as mulheres emanciparam-se
Os homens lutam por emancipar-se:
O seu choro e seu amor
Sua doçura e compaixão.
Que pensavas antes
Quando foi mulher(?)
Tal a consciência
Educará hoje e no amanhã
Como todo dia aprende-se
A escrever um pouco mais
A fim de completar os títulos
De uma vida que é plural
Cheia de histórias
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
![]() | |
| Estacionamento do Centro de Ciências Sociais Aplicadas - CCSA da Ufrn |
Motoristas assaltam mais uma vez.
Cheirosos. Vestem-se bem.
Lêem livros de direito
E não o distinguem bem.
Compraram grande demais,
Ou mais espaço é que lhe pertence?
Não fará mal a ninguém.
![]() |
| Tudo deveria ser um grande estacionamento! |
O vermelho diz,
"Aqui não existe espaço."
Nem as letras do alfabeto
Estão livres da proibição
Indecente.
Condenadas sem culpa
Cárcere:
Paredes pintadas de branco
Uma só janela.
![]() |
| BCZM - Ufrn ops |
![]() |
| Calçada + rampa - pacote completo |
Poucas palavras.
Caras feias.
Rastros de Violência:
Obesos deixaram
Sua prisão mental.
Gordura que veste
E vai a academia.
![]() |
| Setor II da Ufrn |
Um momento
Tosco para eternidade
Mais cômodo e sujo.
Alguns segundos a menos
Concreto em falso,
Esperando abrir
Para o vazio.
Um minuto
Para vigiar
O próprio ato
Obviamente impensado. Mas,
Todo mundo erra
Eu erro também.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Pensei
Pensei hoje que,
A bicicleta me deu mais tempo para pensar nas coisas que realmente importam.
A bicicleta me deu mais tempo para pensar nas coisas que realmente importam.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Inspiração Repentina
![]() |
| Ciclo-vigaem a Diogo Lopes, RN |
Girogirando
O mundo e a síndrome do giro
Porque tudo gira
Porque tudo quer girar,
Como o nosso planeta
Que fez-nos girar
No útero ainda
E ninguém deu
A instrução de vôo!
Rolamos em um espaço
Tão pequeno.
Para o homem 'maduro'
A brincadeira de roda
É um universo a ser descoberto.
De novo e de novo.
Uma melodia que nos chama
Que vem nos chamar.
Enrolo os metros para desaparecer
No horizonte da terra,
Seguro-me para não ir.
Muitos estão sendo levados
Pela correnteza do tempo
O tempo é água e o vento juntos
- Levam alguma coisa sempre -
Como é o sol o livro
A iluminar a casa do pensamento.
mas assim feito girassol
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